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Marguerite Yourcenar (que escreve sobre ela, Clitemnestra) e Yannis Ritsos (que escreve sobre ele, Agamémnon), referências incontestáveis - embora já desaparecidas - das nossas vidas de artistas de hoje. Ela, para além do resto, a grande estudiosa das letras e da cultura clássica; Ele, o grande poeta, ele próprio grego. (Antonino Solmer)
 
 


"Agamémnon ou o Crime"
de Marguerite Yourcenar e Yannis Ritsos

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INTÉRPRETES

AGAMÉMNON: ANTÓNIO RAMA (T.N.D.M. II)
CLITMNESTRA: FERNANDA LAPA


EQUIPA

Autoria
MARGUERITE YOURCENAR e YANNIS RITSOS
Tradução
FERNANDA LAPA
Encenação
ANTONINO SOLMER
Cenografia / Coordenação Técnica e de Produção
RUI PEDRO PINTO

Figurinos
LUÍSA PINTO
Montagem de Banda Sonora
PAULO CURADO
Desenho de Luzes
CARLOS GONÇALVES
Realização do Spot Promocional
CATARINA CAMPINO

Cozinha do Palácio Marim Olhão
de 15 de Março a 15 de Abril, 2001

 


Foram os pais que lhe destinaram o marido.
Este, depois de sacrificar uma filha de ambos às suas ambições de homem e de guerreiro, deixou-a só, com a dor, três filhos pequenos e a responsabilidade da casa e das terras.
Quando ele regressa ao fim de dez anos, rico e heróico, ela mata-o com um cutelo.
Esta é a história de Clitemnestra.

Antes que seja desferido o golpe derradeiro teremos, porém, oportunidade de
conhecer Agamémnon, o marido.
E nós, cujo coração está todo com Clitemnestra; nós, cujos sentidos se abriram ao seu “saber de experiência feito” e à sua dor fria; nós, que através das suas próprias palavras, aprendemos que “o adultério é muitas vezes uma forma desesperada de fidelidade”, quando estávamos já prontos a pensar que o homem de quem se fala, comandante vitorioso da guerra de Tróia, será talvez um bruto sanguinário ou um qualquer patife, sentimos, pelo contrário, que alguém nos convidou a sentar para a fruição tranquila de um discurso de sensibilidade extrema.
É a versão de Agamémnon.

Em qual das sabedorias ficamos? Na de Clitemnestra? Na de Agamémnon? Fará sentido ter uma única opção? Onde está aqui o feminino, o masculino (questão cara e com tradições no trabalho do grupo Escola de Mulheres, a par da recorrente utilização de temas clássicos)? Ou será que a resposta não se encontra afinal em nenhuma sabedoria, mas sim na revelação final, fantasmática, de Clitemnestra, aliás corroborada por Agamémnon quando este diz: “Só a lembrança do amor pode substituir o amor”.
Para nós, o privilégio de trabalharmos um mito ancestral que se revela cada vez menos clássico e mais disperso no nosso quotidiano dos campos e das cidades, da maneira como o gostamos de fazer, a-presentando-o dum modo activo (e não re-presentando-o, de forma museográfica) pela mão de dois grandes escritores da nossa contemporaneidade, Marguerite Yourcenar (que escreve sobre ela, Clitemnestra) e Yannis Ritsos (que escreve sobre ele, Agamémnon), referências incontestáveis — embora já desaparecidas — das nossas vidas de artistas de hoje.
Ela, para além do resto, a grande estudiosa das letras e da cultura clássica; Ele, o grande poeta, ele próprio grego. Dois textos que não sendo “para teatro” trazem à cena, no confronto das personagens, o confronto entre dois gigantes da cultura contemporânea.
Que os deuses do Olimpo, todos, nos concedam os ventos favoráveis.

Antonino Solmer

 
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