"As Bacantes"

  ... INTÉRPRETES
Diónisos: JOÃO GROSSO
Penteu: ROGÉRIO SAMORA
Cadmo e Primeiro Mensageiro: ANTÓNIO RAMA
Tirésias e Segundo Mensageiro: ANTONINO SOLMER
Agave: CUCHA CARVALHEIRO
1ª Coreuta: CRISTINA CARVALHAL
2ª Coreuta: ÂNGELA PINTO
3ª Coreuta: LUCINDA LOUREIRO
4ª Coreuta: ELSA GALVÃO
5ª Coreuta: CUSTÓDIA GALLEGO
6ª Coreuta: TERESA FARIA
7ª Coreuta: INÊS NOGUEIRA
8ª Coreuta: SÍLVIA MARTINHO (cantora)
9ª Coreuta: MARTA LAPA (bailarina)
10ª Coreuta: CLÁUDIA OLIVEIRA (bailarina)
11ª Coreuta: SUSANA BENTO (música)
12ª Coreuta: SÓNIA TOMÁS (música)
Figuração:
JOÃO GIL

EQUIPA

Dramaturgia e Encenação: FERNANDA LAPA
Cenário e Figurinos: JUAN SOUTULLO
Música e Direcção Musical: JOÃO LUCAS
Coreografia: MARTA LAPA
Desenho de Luz: ORLANDO WORM
Máscaras e Adreços Escultóricos: CARLOS MATOS
Assistência de Encenação: ISABEL MEDINA
Assessoria Linguística: HÉLIA CORREIA
Assistência de Cenografia e Direcção de Montagem: RUI PEDRO PINTO
Assistência de Desenho de Luz: DANIEL WORM
Execução do Guarda-Roupa: MARIA GONZAGA
Maquilhagens especiais: GUILHERMINA SEABRA
Assistência de Adereços: MARINEL MATOS, NUNO GABRIEL MELO, GONÇALO CABAÇA e MANUEL MADRUGA
Engenheiro de Som: JORGE GONÇALVES
Fotografia: JOSÉ FABIÃO
Montagem: MANUEL PEREIRA, MIGUEL VERDADES, DANIEL VERDADES, AMADEU CAMPOS, SANDRA CASACA e FERNANDA BAPTISTA
Direcção de Produção: CONCEIÇÃO CABRITA
Secretária de Produção: AIDA SOUTULLO
Produção:
ACARTE / ESCOLA DE MULHERES

Estreia absoluta em Portugal nos Encontros ACARTE
Anfiteatro ao ar livre FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN

12 de Setembro, 1995

 

de Eurípides
Versão livre sobre tradução de Maria Helena da Rocha Pereira

Em Tebas, são três as mulheres, Agave, filha de Cadmo, o fundador da cidade, e as suas irmãs - Ino e Autónoe - que levam para a montanha o côro das Bacantes, não sem antes terem recusado o Deus. Assim fala Diónisos no prólogo da peça: “Por isso eu as sacudi para fora das suas moradas, tomadas de delírio, e, de espírito enlouquecido habitam nas montanhas. E forcei-as a usar as minhas insígnias orgiásticas, e a toda a raça feminina dos Cádmios, a quantas mulheres havia, fi-las saír de casa desvairadas (...)." A presa caçada por Agave é o seu próprio filho, a quem ela, na sua loucura, arranca os membros. O filho, Penteu é também um rei que, tal como sua mãe, recusou reconhecer Diónisos como um Deus. De facto, na peça de Eurípides, as Bacantes são o instrumento da punição de Penteu. É através das mulheres que o deus se manifesta. A loucura Dionisíaca é acompanhada por uma espécie de inversão das actividades dos dois sexos e a respectiva aparência. Enquanto Penteu, depois de ter troçado da aparência feminina do deus, cegado por Diónisos, aceita disfarçar-se de bacante para espiar a mãe em plena montanha, as Bacantes, no seu frenesim, levam a melhor sobre os homens brandindo contra eles as insígnias de Diónisos.
O que está em questão através deste mito e por intermédio das mulheres é portanto a reversibilidade dos domínios e a permeabilidade de um em relação ao outro. A loucura Dionisíaca é um operador, não um fim em si mesmo.
O carácter selvagem, testemunhado pelos ritos – a corrida na montanha (a oribasia), o sacrifício do animal caçado e despedaçado ainda em vida (o diasparagmos) – exprimem apenas uma das facetas de Diónisos. Se é verdade que, para aqueles que recusam “ver” o deus, a experiência termina tragicamente, o seu reconhecimento, pelo contrário, traz consigo a alegria e a paz. E se tal experiência acontece de forma privilegiada com as mulheres, a sua revelação, ao fim e ao cabo, destina-se a todos.

 
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