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...é no Homem, nas suas urgentes e sangrentas ansiedades, que está a raiz da actual criação dramática...

 
 
 


"BernardoBernarda"

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INTÉRPRETES:
FERNANDA LAPA
ISABEL MEDINA

 

EQUIPA:
Autoria: BERNARDO SANTARENO
Selecção de Textos:
FERNANDA LAPA, ISABEL MEDINA
Encenação e Espaço Cénico: NUNO CARINHAS

Movimento: MARTA LAPA

Selecção Musical: NUNO CARINHAS
Montagem Musical e Música Adicional: JOÃO BENGALA
Desenho de Luz: MIGUEL PEREIRA

Assistência ao Espectáculo: PEDRO CAVALEIRO E MARTA MENDES

Desenho Gráfico : PAULO FERREIRA
Fotos: MARGARIDA DIAS
Spot TV: PAULO FERREIRA

Produção Executiva: DINA LOPES

Operação de Luz: INÊS POMBO

Operação de Som: PEDRO CAVALEIRO

Convento das Bernardas
de 22 de Abril a 8 de Maio, 2005

 


No décimo aniversário da Escola de Mulheres e vinte e cinco anos após o desaparecimento de Bernardo Santareno, numa homenagem àquele que consideramos ser um dos maiores dramaturgos portugueses do século XX (do nosso ponto de vista estupidamente relegado pelo provincianismo cultural), propusemo-nos revisitar a sua obra, tentando descobrir através dela a complexidade e as máscaras do criador, a beleza dos seus textos fortemente poéticos, e a contemporaneidade dos seus temas.
Uma viagem aos abismos interiores do autor: a sexualidade e a ambiguidade sexual expressas em sensualidade telúrica, tanto reprimida como violentamente exposta; os medos e os presságios; a procura obsessiva da verdade e da justiça; o angelismo demoníaco; o envelhecimento e a morte.
Estes aspectos recorrentes em Santareno, sempre contextualizados num forte tecido social e politico, são os motores do espectáculo. Espectáculo em que se trocam identidades e papéis sociais, num jogo de espelhos em que o Masculino e o Feminino se cruzam, enfrentam, e se dissolvem na utopia de um terceiro sexo que paira (como um anjo) sobre a fragilidade humana assombrada pelos limites da sua condição social de poder apenas ser ou macho ou fêmea.

A Escola de Mulheres

Este espectáculo feito em jeito de homenagem, é constituído por fragmentos temáticos entrelaçados, a nosso gosto, numa dramaturgia da decepção. Alberga recriminações, lamentos, suspensões, cumplicidades dolorosas, premonições, culpas – as personagens padecem de mal estares e cruzam as suas incomodidades, reivindicam a sua existência.
Retrato a preto e branco de realidades e sonhos que estão para lá do espaço e do tempo em que foram escritos. Fantasmas ambulantes, nus ao espelho, ou de fato e gravata, longe dos regionalismos folclóricos, as suas vozes, são vozes do Teatro, sem espaço nem tempo que os constranja a figuras de almanaque.
Duas actrizes devolvem ao autor a escrita da transitoriedade, os espectros da sua (nossa) finitude envoltos em melancolia, e por causa dela. Água pesada, pó, fogo, ar frio e quente. O espaço vazio é delas…dos seus corpos à luz.

Nuno Carinhas

Textos das peças:
O Duelo, A Anunciação, O Pecado de João Agonia, A Promessa, António Marinheiro, O Lugre, O Judeu, O Bailarino, O Punho, "Português, Escritor, 45 Anos de Idade", A Confissão

 
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