"Uma Boca Cheia de Pássaros"
De Caryl Churchill e David Lan

  ...

INTÉRPRETES
Paulo / Diónisos / Homem1 e Homem na Cadeira: IVO CANELAS
Lena / Sogra / Guarda Prisional / Mãe de Ivone e Bacante 3: SÃO JOSÉ LAPA
Tadeu / Carlos / Eduardo / Penteu / Musicólogo / Guarda Prisional / Amigo e Tó: PAULO PINTO
Ivone / Espírito / Mulher 2 / Décima / Porco / Bacante 2 e Lia: MARTA LAPA
Daniel / Rui / Sr.Madeira / Homem2 / Colega / Ivo e Diónisos 2: ANTÓNIO RAMA
Márcia / Mulher 3 / Júlia / Bacante 1 / Mulher A e Susi: FÁTIMA BELO
Dora / Mulher 1 / Agave / Sibila / Colega / Herculine Barbin e Mulher B:
MARIA HENRIQUE

EQUIPA

Tradução
PAULO EDUARDO CARVALHO
Encenação
FERNANDA LAPA | FRANCISCO CAMACHO
Cenografia
ANA VAZ
Desenho de Luz
DANIEL WORM D’ASSUMPÇÃO
Figurinos
MARIA GONZAGA
Música
CARLOS ZÍNGARO
Spot
PEDRO SENA NUNES
Desenho do Programa e do Cartaz
NUNO CARINHAS
Fotos
FREDERICO NS
Penteados
VÍTOR HUGO
Produção Executiva
TERESA COUTO PINTO
Execução e montagem do Cenário
MANUEL VITÓRIA
Coordenação Técnica da Montagem do Cenário
FERNANDO VAZ
Produção
ESCOLA DE MULHERES

Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria IIEstreia absoluta a 6 de Novembro, 1998


O tema da obra é, simultaneamente, o da possessão e da violência das mulheres, temas que surgem juntos em As Bacantes de Eurípides.
Um dos interesses iniciais de Caryl Churchil era o de contrariar a visão tradicional das mulheres como mais pacíficas e dos homens como naturalmente mais violentos.
A outra ideia explorada é a de ‘um dia sem defesas’ e também aqui o texto de Eurípides surge como paradigmático.
‘Ir para além das palavras’ foi a proposta feita por Churchill a David Lan, aos intérpretes e ao coreógrafo que colaboraram no work-shop preparatório do espectáculo inglês. A vontade de experimentar o movimento e a dança como vias possíveis para dar forma concreta ao subconsciente já tinha sido ensaiada em produções anteriores (Fen), e continuou a ser explorada  mais tarde (Fugue e Lives of the Great Poisoners).
O trabalho de toda a equipa inglesa envolveu: o contacto com pessoas com capacidades mediúnicas, com um transsexual, um padre anglicano exorcista, pessoas que tinham estado presas devido a actos de violência, experiências de hipnotismo, visitas a espectáculos de travesti e de srtip masculino, dias a viver e a dormir ao ar livre.
Uma Boca Cheia de Pássarosacabou por tomar a forma de sete histórias de sete pessoas que interrompem as suas vidas habituais para viverem “dias sem defesas”, as principais cenas da peça, durante as quais cada uma das personagens é possuída por um espírito ou uma paixão. Estes episódios são pontuados pela presença do terrível assassíneo que nos é contado em As Bacantes como algo que irrompe do passado em direcção a estas pessoas abertas à possessão.Subjugadas por forças irracionais esmagadoras, elas vivem uma expriência súbita que as transporta para outra dimensão. Nada é fixo nem estático, e como o andrógino deus Diónisos, também a identidade sexual é fluida.
Caryl Churchill rejeita assumidamente a linearidade estrutural, articulando audaciosamente os textos visuais e físicos com as sequências verbais , explorando os territórios das fantasias, dos desejos subconscientes e dos sonhos. A presença tutelar de Diónisos, como epítome das energias fluidas e transformadoras, funciona como metáfora eloquente do poder transformador do teatro.

 

 
webdesign by 0704