Home Page Image  
 


"Desejos Brutais"
de Paula Vogel

  ...


INTÉRPRETES

MANUELA COUTO (Mãe)
MARIA HENRIQUE (Voz)
DINA LOPES (Filha)
ROGÉRIO SAMORA (Pai)
AMADEU NEVES (Voz)
MANUEL MOREIRA (Filho)

EQUIPA
Autoria
PAULA VOGEL
Tradução
ISABEL MEDINA | LÍGIA HOLLY
Encenação
FERNANDA LAPA
Cenografia
ANA VAZ
Coreografia e Figurinos
MARTA LAPA
Música
JOÃO LUCAS

Desenho de Luz
CARLOS ASSÍS


Sala Estúdio Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro
Teatro Nacional D. Maria II
de 1 a 30 de Novembro, 2003

 


Em Desejos Brutais, a personagem feminina, Charlene, é uma mulher forte, uma profissional bem sucedida e feminista que obteve uma providência cautelar contra o marido que a agredira durante anos.
Ao computador, Charlene escreve guiões eróticos para uma companhia cinematográfica feminista. É assim que consegue viver sem preocupações, sustentando os dois filhos, uma rapariga e um rapaz, e conservando a sua independência. No entanto, os desequilíbrios determinados pela sua condição de mulher (o papel de mulher independente entra em conflito com o de mãe e esposa), tornam-na vulnerável à violência. O ex-marido arromba a porta da casa, manipula os seus sentimentos apelando à compaixão, utiliza a imaturidade dos filhos a seu favor, e acaba por matá-la.
Antes de ser assassinada, Charlene cria dois personagens para o guião que escreve, enquanto se desenrola a acção da peça: uma mulher dominadora e o seu companheiro submisso. Mas, mais tarde, pouco antes de ser morta, um grupo de homens inverte os papéis e transforma a história num filme cor-de-rosa.
Paula Vogel não dá muitas esperanças às mulheres neste texto divertido, mas negro, a não ser no seu assustador final, quando a filha de Charlene aparece de meias até ao joelho, camisa de flanela, sobretudo e botas pesadas, evidenciando, dessa forma, que não é um objecto sexual, e toma o lugar da mãe ao computador. Então começa a escrever a peça que acabámos de ver, a única maneira que ela encontra para chamar a atenção das pessoas e tentar transformá-las.
Um texto belíssimo, com um feroz poder teatral, divertido e corrosivo, que trata a violência doméstica sem hipocrisia nem subterfúgios.

 
webdesign by 0704