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O processo de combinação do real com o irreal é semelhante em Gil Vicente e no Teatro Nô. “Nesta identidade de processos, o mais surpreendente é a sua extrema simplicidade, que no teatro Vicentino muitas vezes é interpretada como primitiva, e que no Nô corresponde aos mais estilizados processos de arte cénica. Em ambos se cruzam pessoas reais com figuras ideais da religião e da lenda. No Nô - espetros, deuses e demónios aparecem disfarçados de guerreiros, de padres ou de mulheres para logo descobrirem a sua verdadeira identidade libertando as longas cabeleiras vermelhas e ostentarem máscaras demoníacas”.*
Roupas coloridas, máscaras, coro, música de flauta e percussão, dança e imobilidade estatuária das figuras são processos técnicos e estéticos que usamos na criação deste espetáculo. No século XVI, o teatro português foi levado pelos Jesuítas até às comunidades cristãs do Japão onde se terão fundido técnicas e estéticas teatrais tão aparentemente opostas. Este trabalho, levado a cabo com alunos do 2ºano de Licenciatura em Teatro da Universidade de Évora, pretende ser uma investigação prática sobre a possibilidade de encenação de Gil Vicente à luz dos postulados do Teatro Nô.
Textos de Gil Vicente incluídos neste espetáculo:
Excertos de: Auto da Mofina Mendes, Auto Pastoril Português, Exortação da Guerra, Auto da Sibila Cassandra, Auto da Lusitânia.
Excerto de “Malícia das Mulheres” de Baltazar Dias
Teatro Nô – “Sesshôseki” ou “A pedra que Mata
* Martins Janeira, Armando – O Teatro Vicentino e o Teatro Clássico Japonês |