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...é no Homem, nas suas urgentes e sangrentas ansiedades, que está a raiz da actual criação dramática...

 
 
 


"Ódio"
de Jorge Humberto Pereira

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INTÉRPRETES:
Monólogo interpretado por
FERNANDA LAPA

EQUIPA

Autoria
JORGE HUMBERTO PEREIRA
Encenação
FRANCISCO CAMACHO
Cenografia
ANA VAZ | FRANCISCO CAMACHO
Design Gráfico
ALBUQUERQUE MENDES
Fotografia de Cena
MARGARIDA DIAS
Assistência de Encenação
SARA CARINHAS
Produção
MANUELA JORGE
Direcção Técnica
PEDRO MACHADO
Assistência Técnica
RUI RAPOSO | MARINEL MATOS
BÁRBARA ROCHA | GUILHERME DUARTE
Operação de Som
INÊS POMBO
Produção
ESCOLA DE MULHERES

Teatro Sá da Bandeira, em SantarémEstreia, dia 10 de Novembro
Galeria Graça Brandão em Lisboa
Estreia, dias 15 e 16 de Novembro

Digressões:
Galeria Nave da Câmara Municipal de Matosinhos, 10 de Março, 2007
Auditório Paços do Concelho De São João da Madeira, dia 28 de Setembro, 2007

 

Em ÓDIO propõe-se um lugar em mutação. Inicialmente, encontra-se delineado de forma clara e rigorosa, convertendo-se progressivamente num amontoado de objectos.
No final, a distribuição dos elementos existentes constrói imagens que ali coabitam.
Esta tarefa ininterrupta é desempenhada por alguém que rememora o seu passado. O lado prático da sua acção, com um objectivo que se vai deixando adivinhar, tem o contraponto na desordem das imagens que evoca, na desconexão entre estas.
Assim, à fragmentação do que é dito, justapõe-se a continuidade da acção. É esta que nos pode indicar a procura de um sentido, por parte de quem os descreve, para os fragmentos de memória. Se esta figura é sistematicamente assaltada pelo horror, é da ordem estética que a sua acção releva. Habitam-na o trauma e o terror, investe na busca de um sublime possível.
Se o espaço é mutável, também quem nele circula não permite classificações imediatas. A sua identidade não é fixa. Aquele corpo - de mulher, dir-se-á - fala no masculino. O trauma de guerra extravasa o teatro desta e invade os espaços domésticos. Assim foi com a Guerra Colonial Portuguesa, que deixou marcas nos lares da metrópole, nos corpos de mulheres e familiares dos combatentes. Assim, o discurso em ÓDIO não é tanto o de um só indivíduo mas o que se apossou de vários seres, diferentes homens e mulheres.

Francisco Camacho

 

 
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