INTÉRPRETES
BEVERLY: MÁRIO JACQUES
VIOLET: LIA GAMA JOHNNA: FILOMENA CAUTELA MATTIE FAE: ISABEL MEDINA IVY: PAULA MORA CHARLIE: LUÍS LUCAS BARBARA: MARGARIDA MARINHO
BILL: ADRIANO LUZ
JEAN: ANA MARGARIDA PEREIRA GILBEAU: MANUEL COELHO
KAREN: MARINA ALBUQUERQUE
STEVE: JOÃO GROSSO
LITTLE CHARLES: JOSÉ NEVES
EQUIPA
Autoria TRACY LETTS
Tradução PEDRO GORMAM
Encenação FERNANDA LAPA
Cenografia e Figurinos ANTÓNIO LAGARTO Desenho de Luz ORLANDO WORM Desenho de Som RUI DÂMASO Fotografias Cartaz e Cena MARGARIA DIAS Assistência de Encenação MARTA LAPA Assistência de Cenografia PEDRO MIRA
Assistência de Figurinos MARISA FERNANDES (estagiária) Direcção de Cena PEDRO LEITE
Assistência Direcção de Cena TIAGO PIRES Ponto CRISITNA VIDAL Operação de Luz PEDRO ALVES Operação de Som PEDRO COSTA Operação Maquinaria RUI CARVALHEIRA Auxiliar de Camarim PAULA MIRANDA Cabeleireira LUCINDA ALMEIDA Produção Executica Escola de Mulheres MANUELA JORGE Assistente de Produção SARA FETEIRO (estagiária) Co-produção ESCOLA DE MULHERES |
TEATRO NACIONAL D. MARIA II
Sala Garrett do Teatro Nacional 25 de Junho a 02 de Agosto, 2009
Todas as famílias felizes são idênticas e todas as famílias infelizes também o são à sua maneira. Quando, numa noite de verão, no meio rural de Oklahoma, o patriarca alcoólico desaparece misteriosamente, o grande clã dos Weston reúne-se imediatamente para consolo da mãe e para apurarem o motivo do desaparecimento do pai. Vendo-se forçada a confrontar verdades escondidas e segredos surpreendentes, a família acaba por se envolver numa discussão com a matriarca Violet, uma mulher viciada em fármacos e instável psicologicamente, que se encontra no meio desta tempestuosa família.
Quando li a primeira vez August: Osage County de Tracy Letts pareceu-me viajar no interior do Teatro Realista americano do séc. XX e cruzar-me com algumas das personagens mais atormentadas e marcantes de Albee, O'Neill e Tennessee Williams, renascidas em Oklahoma, uma geração depois, sem nada terem aprendido das experiências das suas vidas passadas. Talvez mais pequeno-burguesas, menos heróicas e por isso, talvez, um pouco risíveis no esbracejar dos seus pequenos/grandes conflitos. Mais tragicamente no nosso tempo, podemos acrescentar.
Se Albee em Quem tem medo de Virgínia Woolf
? (1960) destruía o Sonho Americano no seio de um pequeno núcleo famíliar num Campus Universitário, já O'Neill em A Longa Jornada para a Noite (1942/1956) nos colocava frente à falência dos valores tradicionais da família americana. Em todos eles, Williams incluído, a Família idílica, base da versão conservadora do Sonho Americano, era desmascarada na sua falsidade. A própria experiência traumática dos autores nas suas relações parentais foi matéria para a criação de obras inesquecíveis que tanto perturbaram a sociedade americana e dividiram os públicos. O'Niell e Tennessee Williams, tal como Letts, receberam Prémios Pulitzer. A Albee, por Quem tem medo..., em 63, embora nomeado, o prémio foi recusadopelo tema considerado obsceno - sexo e adultério. Passaram 50 anos e a problemática da família disfuncional tornou-se recorrente no Teatro, no Cinema e na Televisão. Parece ser ponto assente que as maiores violências ocorrem no seio da família e esta, pela universalidade da sua temática, produz sempre em nós ecos afectivos, quer seja evocada na nossa ou noutra sociedade mais distante. Agosto em Osage é uma daquelas obras produtora de emoções, convoca o riso e o choro, obriga-nos a identificações. De surpresa em surpresa e pela maestria da sua escrita somos obrigados a reviver situações em que fomos protagonistas. Carrascos ou vítimas, todos nós nos reconhecemos em algumas daquelas personagens, como moscas apanhadas na teia e prestes a ser devoradas por uma aranha assustadora...
Grandes papéis para grandes Intérpretes. À Encenadora cabe, unicamente, o papel de dirigir uma orquestra de solistas para que o espectáculo possa despertar no público TERROR e PIEDADE.