Bernardo Bernarda

No décimo aniversário da Escola de Mulheres e vinte e cinco anos após o desaparecimento de Bernardo Santareno, numa homenagem àquele que consideramos ser um dos maiores dramaturgos portugueses do século XX (do nosso ponto de vista estupidamente relegado pelo provincianismo cultural), propusemo-nos revisitar a sua obra, tentando descobrir através dela a complexidade e as máscaras do criador, a beleza dos seus textos fortemente poéticos, e a contemporaneidade dos seus temas.
Uma viagem aos abismos interiores do autor: a sexualidade e a ambiguidade sexual expressas em sensualidade telúrica, tanto reprimida como violentamente exposta; os medos e os presságios; a procura obsessiva da verdade e da justiça; o angelismo demoníaco; o envelhecimento e a morte.
Estes aspectos recorrentes em Santareno, sempre contextualizados num forte tecido social e politico, são os motores do espectáculo. Espectáculo em que se trocam identidades e papéis sociais, num jogo de espelhos em que o Masculino e o Feminino se cruzam, enfrentam, e se dissolvem na utopia de um terceiro sexo que paira (como um anjo) sobre a fragilidade humana assombrada pelos limites da sua condição social de poder apenas ser ou macho ou fêmea.
A Escola de Mulheres

 

Este espectáculo feito em jeito de homenagem, é constituído por fragmentos temáticos entrelaçados, a nosso gosto, numa dramaturgia da decepção. Alberga recriminações, lamentos, suspensões, cumplicidades dolorosas, premonições, culpas – as personagens padecem de mal estares e cruzam as suas incomodidades, reivindicam a sua existência.
Retrato a preto e branco de realidades e sonhos que estão para lá do espaço e do tempo em que foram escritos. Fantasmas ambulantes, nus ao espelho, ou de fato e gravata, longe dos regionalismos folclóricos, as suas vozes, são vozes do Teatro, sem espaço nem tempo que os constranja a figuras de almanaque.
Duas actrizes devolvem ao autor a escrita da transitoriedade, os espectros da sua (nossa) finitude envoltos em melancolia, e por causa dela. Água pesada, pó, fogo, ar frio e quente. O espaço vazio é delas…dos seus corpos à luz.
Nuno Carinhas

 

textos das peças O Duelo | A Anunciação | O Pecado de João Agonia | A Promessa | António Marinheiro | O Lugre | O Judeu | O Bailarino | O Punho, | Português, Escritor, 45 Anos de Idade | A Confissão

intérpretes FERNANDA LAPA | ISABEL MEDINA

autoria BERNARDO SANTARENO
selecção de textos FERNANDA LAPA | ISABEL MEDINA
encenação e espaço cénico NUNO CARINHAS

movimento MARTA LAPA
selecção musical NUNO CARINHAS
montagem musical e música adicional JOÃO BENGALA
desenho de luz MIGUEL PEREIRA
assistência ao espectáculo PEDRO CAVALEIRO | MARTA MENDES
desenho gráfico PAULO FERREIRA
fotos 
MARGARIDA DIAS
spot TV 
PAULO FERREIRA
produção executiva DINA LOPES
operação de luz INÊS POMBO
operação de som PEDRO CAVALEIRO

Convento das Bernardas
de 22 de Abril a 8 de Maio, 2005

Digressões
Teatro Garcia de Resende, Encontros de Teatro Ibérico, Évora – 13 e 14 Novembro, 2005
Teatro Sá da Bandeira, Santarém – 19 de Março, 2006
Salão Nobre Teatro Nacional D. Maria II – 17 a 21 de Maio, 2006
Cine-Teatro de Almeirim – 30 de Setembro, 2006
Auditório Augusto Cabrita, Barreiro – 7 de Outubro, 2006
Cine-Teatro Sobral de Monte Agraço – 21 de Outubro, 2006
Cine-Teatro do Cartaxo – 16 de Dezembro, 2006
Fórum Romeu Correia, Almada – 21 de Dezembro, 2006

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