Abrir Fogo foi escrito à mão e entregue às suas intérpretes, fugindo ao tempo das formatações, no dia em que nos tiraram os bancos dos jardins. Quando deixou de haver sombras no espaço público, o sol queimava menos no sofá de casa, onde todos nos tornámos ativistas por detrás do ecrã do telemóvel. Pusemos a máscara dos heróis da partilha de informação sangrenta, doámos euros à causa humanitária e chorámos. O direito à rua foi-nos negado, marginalizaram o corpo da mulher, as idades e o futuro porque era uma invenção.
Em Abrir Fogo ouvem-se vozes de manifestações pelo direito à liberdade, pelo direito à dignidade e acima de tudo pela paz. Convocam-se elementos visuais do universo do espaço público em parceria com a artista plástica Lea Managil, inserindo-os num espetáculo conduzido por duas intérpretes que usam a fisicalidade como veículo de protesto. Levantam-se questões sobre o quão profícuo poderá ser um manifesto dentro de uma sala de teatro e em que medida a arte é poderosa como arma de protesto. Numa provocação à censura, num protesto à restrição de liberdade, no combate à austeridade pergunto-me: como chegar à celebração, por entre guerrilhas, no momento de abrir fogo?
Ana Sampaio e Maia
FICHA TÉCNICA
texto original e encenação ANA SAMPAIO E MAIA
com MARTA LAPA E MELANIE FERREIRA
espaço cénico LEA MANAGIL
desenho de luz PAULO SANTOS
fotografia BRUNO SIMÃO teaser e registo vídeo EDUARDO BREDA
design gráfico e direção de produção RUY MALHEIRO
produção executiva MARIA RUI CUNHA
produção e operação técnica HUGO NICHOLSON comunicação SHOWBUZZ
agradecimentos PEDRO BALAZEIRO e VIOLETA LUZ
direção artística da Escola de Mulheres MARTALAPA e RUY MALHEIRO
80ª produção Escola de Mulheres
m/14
60 min.
Este espetáculo contém nudez integral.
espaço ESCOLA DE MULHERES
SALA DE TEATRO DO CLUBE ESTEFÂNIA
ESTREIA 20 de maio 2026
TEMPORADA 20 de maio a 7 de junho 2026 | qua. a sab. às 21h30 – dom. às 18h





